MOTIVOS PARA FAZER ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO
- 9 de nov. de 2016
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Muitas coisas nos impedem de fazer acompanhamento psicológico, entre elas a ideia de que “é louco” ou só pra quem sofre muito. Para quem nunca fez, pode ser difícil reconhecer que, na verdade, é indicado para qualquer um. Afinal, “pessoas normais” também se sentem confusas, ansiosas, stressadas e incomodadas por questões de relacionamento — ou não? Para fazer terapia, basta ser humano.
Há também uma certa desconfiança por se tratar de uma situação nova (estranha): ficar a sós com alguém totalmente desconhecido para falar sobre as nossas questões mais íntimas. Não seria mais fácil conversar com um amigo? Talvez. Uma coisa substitui a outra? Não. De qualquer modo, é importante esclarecer dois pontos: primeiro, amigos não são treinados para ouvir e, portanto, tendem a interromper ou não prestar atenção; segundo, é mais fácil falar francamente, sem qualquer receio, com alguém que não sabe nada sobre sí e não tem nenhuma expectativa. Além do mais, psicólogos jamais julgam, pois vêem o ser humano de uma forma muito mais abrangente. Sabem o quanto somos complexos e diferentes, especialmente em questões mais íntimas, como sexo e ansiedade.
Após anos de estudo para entender a mente, os psicólogos não se assustam com o que sentimos, falamos ou fazemos, pelo contrário, o incomum desperta sua curiosidade e motivação — afinal, é por isso que se tornou psicólogo. Em resumo, o psicólogo interessa-se pela saúde mental. Isso tem um custo, é claro, proporcional ao que gastariamos de nos divertir. Mas o preço é algo subjetivo e, portanto, depende muito do valor que atribuímos às coisas. A terapia torna-se valiosa à medida que revela o quanto os conflitos são fruto da falta de consciência sobre conteúdos da nossa própria mente: desejos, anseios, medos e os motivos que nos levam a fazer o que fazemos, especialmente quando tomados por um determinado sentimento.
O objetivo da terapia é o autoconhecimento adquirido num tipo especial de conversa, uma em que se fala bastante para alguém que não só ouve atentamente, mas também intervém de maneira apropriada no momento oportuno. Empatia é uma qualidade fundamental dos bons psicólogos, descrita por Chuang-Tzu da seguinte forma: “O ouvir que se limita aos ouvidos é um. O ouvir da compreensão é outro. Mas o ouvir da alma não se limita a nenhum sentido ou capacidade, seja audição ou pensamento. Portanto, requer o esvaziamento de todas as capacidades. Quando esvaziamos as nossas percepções e sentidos, passamos a ouvir de corpo inteiro. Então alcançamos algo que estava ali, diante de nós o tempo todo, mas que nunca seria captado pelos ouvidos ou compreendido pela mente.”
Ao longo das sessões, descobrimos muito sobre nós e passamos a reconhecer alguns padrões: uma forma peculiar de lidar com relacionamentos ou fracassos, aqueles ciúmes incontroláveis e persistentes, uma zanga com os pais ou irmãos que termina em rancor ou aversão. Falar sobre os próprios conflitos significa utilizá-los como matéria-prima para a construção de uma relação mais harmoniosa consigo mesmo e com os outros; significa reconhecer o nosso “lado negro” e nos tornarmos íntimos de nós mesmos; significa aceitar-se por inteiro e, assim, deixar de viver em “piloto automático”.
Viver plenamente de acordo com os próprios valores, tendo consciência de si mesmo e das suas relações, não é algo instintivo. Não nascemos a saber e tampouco somos encorajados a aprender — especialmente numa época em que o apelo às emoções e sentimentos é a alma do negócio. Daí a importância do acompanhamento psicológico como processo de aprendizagem e aperfeiçoamento da habilidade que chamamos de “viver plenamente”.
Procurar terapia não é sinal de desequilíbrio ou doença, na verdade, é o primeiro sintoma de lucidez em direção a um compromisso maduro em prol da saúde mental.























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